O crescimento das canetas para emagrecimento mudou o cenário do tratamento da obesidade

Nos últimos anos, medicamentos como Mounjaro e Ozempic passaram a ocupar espaço nas conversas sobre emagrecimento. Os resultados expressivos na perda de peso despertaram o interesse de milhões de pessoas e levantaram uma dúvida cada vez mais comum nos consultórios: afinal, o Mounjaro pode substituir a cirurgia bariátrica?
A resposta depende de diversos fatores. Embora ambos os tratamentos tenham como objetivo auxiliar no controle da obesidade, eles funcionam de maneiras diferentes e possuem indicações específicas.
Segundo o cirurgião bariátrico Dr. Diogo Kfouri, CRM/PR 23306 – RQE 26331, o mais importante é compreender que não existe uma solução única para todos os pacientes.
“O tratamento da obesidade deve ser individualizado. O que funciona para uma pessoa pode não ser a melhor estratégia para outra”, explica.
Como funciona o Mounjaro?
O Mounjaro é um medicamento que atua em hormônios relacionados à fome, saciedade e controle da glicemia. Seu uso pode ajudar pacientes a reduzir o apetite, controlar episódios de compulsão alimentar e promover perda de peso significativa.
Por esse motivo, o medicamento tem sido utilizado tanto no tratamento do diabetes tipo 2 quanto no manejo da obesidade.
Para muitos pacientes, especialmente aqueles com obesidade leve ou moderada, o tratamento medicamentoso pode representar uma alternativa eficaz quando associado à reeducação alimentar, atividade física e acompanhamento médico.
No entanto, especialistas alertam que o medicamento não elimina a necessidade de mudanças de hábitos e acompanhamento contínuo.
O que diferencia a cirurgia bariátrica?
A cirurgia bariátrica continua sendo considerada uma das formas mais eficazes de tratamento para pacientes com obesidade moderada ou grave, principalmente quando existem doenças associadas.
Procedimentos como sleeve gástrico e bypass gástrico promovem alterações anatômicas e hormonais que auxiliam no controle do peso e no tratamento de doenças relacionadas à obesidade.
Além da perda de peso, muitos pacientes apresentam melhora significativa em quadros de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apneia do sono, dores articulares e limitações físicas.
Segundo Dr. Diogo Kfouri, a cirurgia não deve ser vista apenas como uma ferramenta para emagrecer.
“O objetivo do tratamento é devolver saúde, qualidade de vida e reduzir os riscos associados à obesidade”, destaca.
Qual tratamento apresenta melhores resultados a longo prazo?
Essa é uma das perguntas mais frequentes entre pacientes que buscam tratamento para obesidade.
Os medicamentos para emagrecimento podem gerar excelentes resultados enquanto estão sendo utilizados. Entretanto, estudos mostram que parte dos pacientes volta a ganhar peso após a interrupção do tratamento quando não existe uma estratégia estruturada de manutenção.
Já a cirurgia bariátrica costuma apresentar resultados mais duradouros, especialmente em pacientes com obesidade grave e histórico de efeito sanfona.
Isso não significa que um tratamento seja superior ao outro para todos os casos. Cada paciente possui características clínicas, metabólicas e comportamentais que precisam ser avaliadas individualmente.
Por isso, a decisão deve ser baseada em critérios médicos e não apenas em tendências ou relatos encontrados na internet.
O melhor tratamento é aquele indicado para o seu perfil
A medicina moderna já entende que a obesidade é uma doença complexa, influenciada por fatores hormonais, metabólicos, emocionais e genéticos.
Por isso, o tratamento precisa ser personalizado.
Alguns pacientes podem alcançar excelentes resultados com acompanhamento clínico e medicamentos. Outros terão indicação para cirurgia bariátrica ou cirurgia metabólica. Em muitos casos, diferentes estratégias podem ser utilizadas em conjunto ao longo da jornada do paciente.
Segundo Dr. Diogo Kfouri, a avaliação individualizada é o que permite identificar o tratamento mais seguro e eficaz para cada pessoa.
Mais importante do que emagrecer é recuperar a saúde
Seja por meio do tratamento clínico, medicamentoso ou cirúrgico, o principal objetivo deve ser a melhora da saúde e da qualidade de vida.
Perder peso é importante, mas reduzir riscos cardiovasculares, controlar doenças associadas, recuperar mobilidade e aumentar a disposição também fazem parte do sucesso do tratamento.
A escolha entre Mounjaro ou cirurgia bariátrica não deve ser baseada apenas na velocidade do emagrecimento, mas na estratégia que oferece melhores resultados para o seu perfil e para o seu futuro.
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