Nem todo desejo de comer significa fome

Comer é uma necessidade básica do organismo, mas nem sempre a vontade de comer aparece porque o corpo realmente precisa de energia.
Em diferentes momentos do dia, podemos sentir fome, ter vontade de comer determinado alimento ou até perder o controle diante da comida. Embora essas situações possam parecer semelhantes, elas possuem características diferentes e entendê-las é importante para o tratamento da obesidade.
Segundo o cirurgião bariátrico Dr. Diogo Kfouri, CRM/PR 23306 – RQE 26331, identificar o que está por trás do comportamento alimentar ajuda a definir estratégias mais adequadas para cada paciente.
“Nem toda vontade de comer é fome, assim como episódios de perda de controle alimentar precisam ser avaliados com atenção. Entender o comportamento do paciente faz parte de um tratamento completo da obesidade”, explica.
O que é a fome?
A fome é uma resposta fisiológica do organismo.
Ela aparece quando o corpo sinaliza que precisa de energia e pode ser acompanhada por sensações como estômago vazio, fraqueza ou queda de energia.
Normalmente, quando estamos com fome, diferentes tipos de alimentos podem satisfazer essa necessidade.
Após a alimentação, a sensação tende a diminuir à medida que o organismo recebe energia e nutrientes.
E a vontade de comer?
A vontade de comer é diferente da fome.
Ela pode surgir mesmo quando a pessoa acabou de se alimentar e pode estar relacionada ao prazer, ao hábito, ao ambiente ou às emoções.
Um exemplo comum é sentir vontade de comer um doce depois do almoço, mesmo sem estar com fome.
Ter vontade de comer ocasionalmente é normal. O problema pode surgir quando esse comportamento se torna frequente e dificulta a manutenção de uma alimentação equilibrada.
O que caracteriza a compulsão alimentar?
A compulsão alimentar envolve episódios recorrentes de ingestão de uma quantidade de alimentos maior do que a maioria das pessoas consumiria em circunstâncias semelhantes, acompanhados pela sensação de perda de controle.
A pessoa pode sentir que não consegue parar de comer, mesmo estando fisicamente satisfeita.
Esses episódios podem ser acompanhados por culpa, vergonha ou sofrimento emocional.
É importante destacar que compulsão alimentar é uma condição que precisa ser avaliada por profissionais capacitados e não deve ser confundida simplesmente com comer muito em uma ocasião.
Por que diferenciar essas situações é importante?
Imagine um paciente que acredita que precisa simplesmente “ter mais disciplina”, mas que, na verdade, apresenta episódios frequentes de perda de controle alimentar.
Apenas reduzir a quantidade de comida pode não resolver o problema.
Da mesma forma, uma pessoa que confunde vontade de comer com fome pode acabar realizando refeições ou lanches sem perceber os sinais reais de saciedade.
Segundo Dr. Diogo Kfouri, compreender esses padrões permite que o tratamento seja direcionado para as necessidades reais do paciente.
“Quando identificamos o que está por trás da alimentação, conseguimos construir estratégias mais eficazes e evitar que o paciente seja responsabilizado por algo que precisa de cuidado e acompanhamento”, destaca.
A obesidade não depende apenas da alimentação
O comportamento alimentar é influenciado por diversos fatores.
Sono inadequado, estresse, ansiedade, rotina, ambiente alimentar, alterações hormonais, medicamentos e características individuais podem interferir na fome, na saciedade e na relação com a comida.
Por isso, o tratamento da obesidade precisa considerar muito mais do que apenas a quantidade de calorias consumidas.
Em determinados casos, pode ser necessário acompanhamento com nutricionista, psicólogo, psiquiatra ou outros profissionais, além do tratamento médico da obesidade.
Existem diferentes estratégias para tratar a obesidade
Depois de compreender o perfil do paciente, diferentes estratégias podem ser consideradas.
Mudanças na alimentação, atividade física, acompanhamento comportamental, medicamentos para emagrecimento e, quando indicadas, cirurgia bariátrica ou cirurgia metabólica podem fazer parte do tratamento.
A escolha depende das características clínicas, metabólicas e comportamentais de cada pessoa.
Entender o comportamento é parte do tratamento
Distinguir fome, vontade de comer e compulsão pode ajudar o paciente a compreender melhor sua relação com a alimentação e identificar situações que dificultam o emagrecimento.
Mais do que simplesmente restringir a comida, o objetivo é tratar os fatores que contribuem para a obesidade e construir estratégias que possam ser mantidas a longo prazo.
Com o Dr. Diogo Kfouri, o tratamento é individualizado, considerando o histórico, as necessidades e as características de cada paciente.
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